19.6.11

Atravessamentos

Postado por 16 mulheres e 1/2 |

por Carolina Nóbrega

aqui retomo um procedimento que fizemos, no qual deitávamos sobre um bastão e depois nos movíamos através dele, como um eixo duplicado, um espelho ou um outro, para depois irmos ao movimento. também o trabalho de segurar a barra, os braços que se desenham a partir da relação com a barra, a moldura.

...a presença de uma linha física (bastão, barra) externa ao corpo inaugura um novo corpo, que se apoia em linhas para estar no espaço, que rasgam diagonais dentro do seu corpo...



num primeiro momento, lembrei-me de Frida Kahlo, que quando tinha 18 anos, sofreu um acidente de ônibus no qual o para-choque atravessou seu corpo, perfurou suas costas, atravessou sua pelves e saiu pela vagina. um atravessamento brutal de uma barra, uma lança, uma linha.


as marcas desse atravessamento no corpo se exteriorizaram em suas obras. vetores de dor, direcionamentos impostos a seu corpo que transformaram toda sua possibilidade de existir no mundo.

...dessas imagens fe Frida, veio-me também essa fotografia específica de Francesca Woodman. o duplo da coluna. a espinha que se separa do corpo. reconhecimento da espinha e da sombra:


e por fim, também lembrei-me de Rebecca Horn e sua pesquisa de prolongar as linhas do corpo, inaugurando novos espaços, ou tornando o espaço mais visível, ou tornando mais visível o desenho do corpo no espaço, tornando evidente que há desenho no existir, que há desenho no deslocar do corpo no espaço.









por mais diferentes que sejam os trabalhos dessas artistas, em todos reconheci essa presença de um atravessamento de linhas, que relacionam o espaço de dentro e com o espaço de fora do corpo... reconheci nessas imagens algo que trafeguei durante os improvisos a partir das barras... cortes no meu eixo, projeções espaciais, diagonais, linhas de apoio ou de desequilíbrio, que me obrigaram a um jogo espacial de desenhos.

2.6.11

Esfenóide, o retorno!

Postado por 16 mulheres e 1/2 |

por Monica Lopes


Um desafio retornar a este "lugar", esta qualidade corporal e estado que é despertada ao pesquisar o esfenóide - este ossinho no centro do crânio - para o movimento.
A relação com o espaço é ampla, não há foco nos olhos, eu vejo imagens desfocadas.
Existem borrões e imagens no espaço.

E a força deste estado corporal?
Um turbilhão de imagens, sensações, emoções desencadeadas quase simultâneas que afloram e pairam no ar, no espaço.
Uma dificuldade de dar tempo para cada imagem ser criada, antes de nascer outra e outra ... e outra.
Surgem imagens como a de furacões ou de vulcões, talvez pela força ou pelo desenho no espaço: de dentro da Terra para fora, ou desenhos em espiral.

Coreô costelas + esfenóide : "Costenóide"

5.5.11

Inventar uma dança

Postado por 16 mulheres e 1/2 |

por Maristela Estrela

Localizando os interessados, esse novo processo teve início em fevereiro de 2011 e tem como foco a pesquisa do Núcleo Cinematográfico de Dança centrada em um trabalho de pesquisa entre o cinema e a dança. Como transformar conteúdos e procedimentos do cinema em procedimentos para a criação do movimento/dança? Investigamos também a relação entre abordagens somáticas e o movimento dançado, como por exemplo, sobre o trabalho da Coordenação Motora (referência pesquisa Cia. Oito Nova Dança), também sobre a Ideoknesis ( contato-improvisação), sobre o BMC ( Body Mind Centering) , etc. Buscamos inventar novos procedimentos de criação do movimento e da dança através de diferentes abordagens da improvisação. Estamos orientados por algumas questões como: Quais imagens o intérprete-criador tem inscritas em seu corpo enquanto dança? Como pensar e experimentar uma dança apoiada na projeção dessas imagens? Experimentamos a invenção de uma dança, mas pretendemos observar e refletir também sobre o caminho que trilhamos para se chegar à essa invenção. Nosso interesse está também em observar e compartilhar o como cada intérprete constrói e elabora seus próprios procedimentos, conteúdos e danças a partir de temas corporais comuns. Interessa-nos também experimentar e compartilhar esses procedimentos individuais e torná-los ferramentas e instrumentos para uma investigação e/ou criação coletiva. Essa experiência de investigar e criar dança, será aqui compartilhada através dos diferentes corpos, olhares e formações em dança dos integrantes desse grupo de estudos. Nos questionamos sobre as maneiras de se pensar-fazer dança: escrever com o corpo, inscrever, re-escrever, rabiscar, cortar, repetir, reiterar, etc. Observaremos tanto a experiência individual/coletiva quanto as expressões resultantes que se desejam condensar em dança.

Nossa ênfase estará nos processos de experimentar, elaborar e refletir corporal/mente a dança. Em como transformar inquietações e motivações vividas em improvisações em novas bases para a criação de partituras de movimento.