19.6.11

espreita

Postado por 16 mulheres e 1/2 |

por Carolina Nóbrega



O esfenóide, animal a espreita dentro do crânio. Se fosse mesmo um animal, o osso ao redor dos olhos seriam a saida da toca. Meus olhos, não mais meus olhos, mas os olhos desse animal, esfenóide, a espreita. Animal irriquieto a se mover dentro do crâneo em múltiplas direções... o crâneo é o esconderijo.


O animal observa... as vezes ataca e alça pequenos vôos para fora, plana no espaço, abre suas asas. Depois retorna, para dentro da cabeça, e observa, ele quer saber tudo, por todos os ângulos, se interessa por todas as coisas. As vezes o crâneo parece o aprisionar... ele imprime multiplas linhas pra fora até pressionar a cabeça para novamente dar seus saltos. Ele carrega meu corpo com ele, ele implode meu corpo de dentro, e ele vai em múltiplas direções. Ele não me dá descanço. Difícil pedir a ele silêncio e que se mantenha quieto em sua morada. Ele quer sair. Ele quer sair sempre mais e para todos os lados. Perco o sono por conta desse animal ósseo.

e mais uma vez, Rebecca Horn.

10.6.11

Visor 3D!!

Postado por 16 mulheres e 1/2 |


por Monica Lopes

Ontem uma quietude me envolveu e trouxe uma sensação de tridimensionalidade no espaço. Eu via o espaço por todos os ângulos olhando pelo esfenóide.
O esfenóide era meus olhos, uma máscara, um visor. Na verdade minha visão se expandia por todo o corpo a partir do esfenóide. Um visor ultra moderno que via o espaço em 3D ou multidimensional. Muitas dimensões e direções no espaço. E eu podia ver o espaço através dele, ele me possibilitava ampliar minha visão do espaço. E eu tinha olhos nas costas. Tinha olhos por todos os ângulos, olhos por todo o corpo. Estes olhos eram como poros... que se abriam e deixavam escapar, desprender um jorro pelo espaço. Este jorro tinha sua origem no esfenóide. Havia algo que me sacudia, e esse algo vinha do centro da cabeça. E deste centro jorrava e escapava pelo espaço múltiplas linhas e desenhos e rabiscos....







2.6.11

Explosão

Postado por Núcleo Cinematográfico de Dança |

por Mariana Sucupira

Olhar de novo para uma pequena parte do corpo é sempre distinto. Mudam as células, muda meu estado de ser/ estar no mundo. Mas quase sempre a investigação do movimento a partir do esfenóide me leva pelo mesmo caminho.

O esfenóide me parece, geotopograficamente falando, um dos ossos mais complexos do corpo, se não o mais. A sua formação em múltiplas direções espaciais me traz um sensação de explosão. O esfenóide é um osso explodido. E essa metáfora reverbera no corpo tanto como o impulso/pulso de uma explosão (implosão?), como as direções da dança no espaço. E de repente, em um determinado momento, tudo parece ficar em um estado de suspensão.

Ano passado revi essa cena do filme Zabriskie Point, do Antonioni e, por enquanto, é o jeito mais concreto que consigo ilustrar essa sensação...


2.6.11

Esfenóide, o retorno!

Postado por 16 mulheres e 1/2 |

por Monica Lopes


Um desafio retornar a este "lugar", esta qualidade corporal e estado que é despertada ao pesquisar o esfenóide - este ossinho no centro do crânio - para o movimento.
A relação com o espaço é ampla, não há foco nos olhos, eu vejo imagens desfocadas.
Existem borrões e imagens no espaço.

E a força deste estado corporal?
Um turbilhão de imagens, sensações, emoções desencadeadas quase simultâneas que afloram e pairam no ar, no espaço.
Uma dificuldade de dar tempo para cada imagem ser criada, antes de nascer outra e outra ... e outra.
Surgem imagens como a de furacões ou de vulcões, talvez pela força ou pelo desenho no espaço: de dentro da Terra para fora, ou desenhos em espiral.

Coreô costelas + esfenóide : "Costenóide"