por Carolina Nóbrega


projetos são ficções encabeçadas ao ponto de se tornarem verdade. mas a prática, a ação, nunca condiz inteiramente com o projeto, escapa dele, o desvia, o desrespeita, o transforma. ter certeza daquilo que se quer criar - amarrar tudo, garantir lógica, coerência e procedimento, lixar as arestas - é de fato o que é o processo artístico? isso é de fato mais potente do que o acaso? ao acaso, talvez não surgissem modos de ação e linguagem se não mais, tão interessantes quanto? o anseio pela conquista dessa bloco sólido ou poroso entre conceito e prática pode ser ainda mais desgastaste em trabalhos em coletivo, nos quais montantes gigantescos de energia se escoam na busca pelo consenso. porque não, então, deixar entrar o acaso como protagonista a nortear um pouco as escolhas, desconfiando um pouco de nossa hipercoerência artística? talvez dê errado. mas, mais uma vez, por que não? por que não ser ineficiente?

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Por causa de como o cérebro é feito, a natureza nunca parecerá disforme, então porque se preocupar? (Allan Kaprow - como fazer um acontecimento? - 1966)
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No fim do ano passado e início deste, fiz uma viagem para o Para, na qual acompanhei os dois últimos dias de uma festa tradicional de Carimbó. No último dia de festa, acontece o Pelouro, um sorteio dos festeiros do próximo ano. O festeiro é o responsável por preparar um dia inteiro da festa (que dura onze dias e onze noites), incluindo o café da manhã, o jantar, uma bebida de gengibre com cachaça e a decoração do barracão. Ele terá que preparar e bancar tudo com seu dinheiro. E tudo será distribuído a quem comparecer na festa gratuitamente.

No festejo de Carimbo de Santarém Novo, os festeiros não podem receber patrocínio – nem do governo, nem de políticos, nem de comércio, etc. A festa e tudo que é nela ofertado tem que ser uma doação material e energética.

O sorteio foi o sorteio mais ineficiente que já vi na minha vida. Em um pote haviam as datas da festa do ano seguinte mais um monte de papéis em branco e no outro pote os nomes de todas as pessoas da irmandade (que tem mais de duzentas famílias). Eles sorteavam um papel com o nome de uma pessoa num pote e no outro, sorteavam a data ou o papel em branco. Se era branco, a pessoa sorteada não seria festeira, se era com a data, eles viam se a pessoa estava presente, se ela não estivesse, a data voltava para o pote e tudo continuava; se ela estivesse, ela aceitava ou não ser festeira, se aceitasse, a data era fechada e se negasse, a data voltava para o pote e tudo, uma vez mais, continuava. 

Durou muito tempo, horas mesmo, até eles conseguirem fechar os onze dias de festa. No início eu e os outros "estrangeiros" que ali estavam, não entendiam porque o esquema era tão demorado e pensamos em mil outras possibilidades para a coisa se desenrolar mais rapidamente... depois entendemos que a questão não era ser eficiente.

Em primeiro lugar, desse jeito eles acabavam falando o nome de todos os envolvidos na festa, acabava sendo um crédito, um jeito de fazer todos estarem presentes e serem homenageados. Em segundo lugar, era tão improvável que você fosse sorteado, que ser escolhido se apresentava de fato como destino (ser escolhido era intensamente celebrado ao som de gritos e rufos de tambor).

Essa opção por ser ineficiente lembrou-nos (os estrangeiros) de Francis Alÿs, artista belga residente no México, por conta de um dos princípios que norteiam seu trabalho: máximo de esforço, mínimo de resultado. Princípio esse que é uma inversão proposital da lógica de mercado, que nos lembra que não se há de fato um lugar final ideal a ser alcançado (uma compensação) e que a práxis em si mesma é o que constrói a vida (o agora). Alÿs cria seus trabalhos como uma “resposta épica”, ao mesmo tempo fútil e heróica, absurda e urgente.



Em 2002, em “quando a fé move montanhas”, ele convenceu 500 estudantes peruanos a andar em uma linha empurrando com uma pá a areia de uma duna na zona periférica da cidade, para assim, mover a duna em alguns centímetros.



O movimento minúsculo e temporário da duna dramatizou esse princípio de “máximo esforço e mínimo resultado”, que, segundo Alÿs, tipifica muitos esquemas de modernização latino-americanos, assim como são também uma conquista monumental realizada através da co-operação. Para Alÿs, era essencial que os participantes doassem seu tempo e energia para que ação servisse como modelo de oposição a princípios econômicos conservadores de eficiência e produção.



Diante dessa montanha que se moveu e desse pelouro, dessa (des)ordem cultural tecida ao acaso, será talvez possível se vislumbrar outros modos de criação para as artes? 

Uma proposta qualquer a um coletivo qualquer. Um sorteio. Outro. 

Haverão 3 potes, pote A, pote B e pote C. No pote A estarão ao menos 103 pedaços de papel, nos quais em apenas 3 estarão escritos a palavra SIM e nos outros todos a palavra NÃO (esse número pode ser aumentado ou diminuído caso queiram-se sortear mais ou menos coisas). No pote B estarão os papéis nos quais estarão desejos de procedimentos de pesquisa descritos separadamente. Todos os participantes poderão escrever quantos papeis com desejos de pesquisa quiserem. E no pote C estarão os nomes de todas os participantes do coletivo.

Duas pessoas serão sorteadas no pote C. Primeiramente, o mestre de cerimônias, que irá ler todos os resultados do sorteio. Depois, um ajudante que irá sortear os papéis na ordem estabelecida e mostrar para o mestre de cerimônias para que ele leia.

O ajudante irá primeiro sortear uma procedimento no pote B, que o mestre de cerimônias lerá em voz alta; depois sortear um papel no pote A, para que o mestre de cerimônias diga se aquele procedimento não será desenvolvido (se sair NÃO) ou se será desenvolvido (se sair SIM). Se sair NÃO, o ajudante simplesmente enrola os dois papéis juntos, os deixa de fora dos potes e retoma o sorteio. Se sair SIM, o ajudante sorteia um nome no pote C, o mestre de cerimônias lê o nome que foi sorteado em voz alta, a pessoa sorteada então deve se levantar, ir a frente de todos e em 5m explicar (falar-fazendo) no que consiste o procedimento selecionado como se fosse um especialista (mesmo que não tenha idéia do que se trata, ele inventará, ele mentirá). Depois de passados dos 5m a pessoa volta a sentar e o sorteio é reiniciado.

Os procedimentos serão pesquisadas pelo coletivo na mesma ordem que saírem no sorteio.

Dessa maneira, ineficiente, o mestre de cerimônias lerá em voz alta boa parte dos procedimentos escritos pelos integrantes do coletivo. Dessa maneira, ineficiente, o coletivo verá passar todos os procedimentos possíveis virtuais sobre seus olhos e imaginários, como os créditos de uma experiência que nunca se deu. Dessa maneira, ineficiente, todos os participantes se sentirão a vontade para propor os procedimentos que desejarem, sem necessidade de justificar ou convencer ninguém, descobrindo, a partir das reações das pessoas ao ouvirem a descrição do procedimento, interesses ou desinteresses expontâneos do coletivo pela sua proposta anônima. 

Caso hajam mais "NÃOs" do que procedimentos e que termine uma rodada inteira sem ainda terem sido sorteado todos os "SIMs", os procedimentos com "NÃOs" serão colocadas de volta o pote B para uma nova rodada, mas os nãos sorteados não voltam, para acelerar a rodada seguinte.



19.6.12

Sobre o Degelo

Postado por 16 mulheres e 1/2 |




Notas acerca de intervenção desenvolvida pelo 16 mulheres e 1/2 no 1o. intercâmbio de idéias e ações do Núcleo Cinematográfico de Dança.



por Carolina Nóbrega.

Subo no gelo. Subimos. Iria doer. Doer muito. Haviam dito.
Subimos e eis-nos, um Gicometti ao avesso, não de cobre durável, mas sobre o gelo, que é duro, mas derrete. Subimos e eis-nos, um Giacometti ao avesso, não terroso e ancestral, mas frio e urbano: Diante do ponto de ônibus.
Diante da espera.
Derretiam os gelos delicada e lentamente, sem perder a forma (como um suor ou como lágrimas) e a água que os gelos criavam, curiosamente o chão conduziu em um só rio, que margeava o ponto de ônibus e escorria no meio fio.
Era noite. As luzes sensíveis, amarelas e não frias, do centro da cidade. Os grandes prédios.

Iria doer. Doer muito. Haviam dito.
Se doía, não sei. Talvez aos poucos, não muito. O gelo é duro, mas não pedra. Ele e a água foram envolvendo a meia e meus pés aos poucos. Doeu um pouco o meu calcanhar. Talvez ele um pouco virou pedra, eu mesma não poderia escorrer junto, naquele afluente até a rua. Eu parei. E nesse parar estive cheia. Nada precisaria ser feito. Estava em meu pedestal frágil, que me consumia a suaves gotas. E aquela pequena dor me dizia do viver. Ah, não é meio isso o viver? Habitar fragilidades com uma pequena dor que consome a suaves gotas?

A direita, o impôstometro seguia tecendo seus infindáveis números, números que nem sei mesurar, não me fazem sentido. Os números correm no acumular dos dias.
Por que corremos nós ao acumular dos dias?
ah.
Parar e um pouco doer e um pouco estar imóvel. Sim. Ali não estava enganando ninguém.


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No ponto de ônibus, uma menina nova nos olhou fundo. Um olhar mareado e longo. Ela sustentou seu olhar sensível e sério 10 minutos sem desviar. Não sei se derretia com o gelo ou se entendeu do imóvel. Depois sumiu num ônibus. (Eu acho que me apaixonei por ela por aqueles 10 minutos).
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Eu poderia ficar ali horas. Não tive vontade de nada. Poderia ficar eternamente. A verdade é que estaria lá até agora. 

(talvez esteja, sózinha já, em cima de uma pedra, envolta doutras tantas vazias, já ninguém na rua, eu olhando o vazio, e o impostometro a seguir contagens)

Será que eu perceberia se meu pé gangrenasse? Será que sairia antes? Ou o gelo teria me envolvido em sua doída e honesta imobilidade e eu perderia meu pé por ele?

A partir de agora podem fazer o que quiser, disseram. O que quiser. Mas eu havia estancado o querer. Meu pé duro se sentiu aliviado por sua anestesia... "finalmente não preciso e nem poderei levá-la a lugar nenhum", meu pé pensava.

Em volta de mim, muitos seres em pedestais de gelos estavam também parados, talvez também seduzidos pelo imóvel, outros se mexiam, mexiam, já se misturavam um pouco ao vai e vem dos ônibus... me senti quase como uma pedra que sempre existiu e viu diferentes espécies a viver e morrer, sem se apegar a nada, guardando apenas alguns olhares pra dentro.

Todos desceram dos gelos e eu ainda estava. Só saí dali porque me ofereceram uma mão, talvez eu não saberia como ou porque descer sózinha. Ela percebeu, acho, e me ofereceu sua mão. Pisar o chão de novo doeu. Subiram sensações em onda. Ah, terei que voltar a me mover? Paro um tempo, agaixo, sinto meu pé em conflito de existência. E eu percebo as pessoas queridas ao fundo, já se movendo, conversando, se arrumando... ... ... ... Quero retardar um pouco... Quero... ... ... Quero retardar um pouco. A vida voltou a ser banal e um pouco desonesta... sinto-me numa espécie de contaminação... Devolvam-me a pedra, o gelo, por favor?

Olho pra frente. Uma placa. Aqui nasceu a cidade de São Paulo. É isso. A cidade ficou nua. Cidade gelo. Quando de fato paramos para te permitir escorrer? Hoje me impliquei para que um pouco escorresse. Mas por mais que implicasse toda a minha força, você se manteria pedra e eu gangrenaria em prol de pequenas gotas bastante insignificantes em relação aos seus blocos rígidos.

O gelo me deixou nua.

Choro. É estranho voltar as pequenas banalidades da vida.  Falar do ônibus, da roupa, falar sobre qualquer coisa. Choro dessa passagem, ela não me é natural, ela me invade, violentamenta, me atravessa.

Por que só vivemos fundo nas brechas?

Volto para a vida. O Terminal Bandeira. Minha casa.

E agora de tempos em tempos, no meio das coisas simples das repetições que chamamos de nós, imagino os blocos de gelo na praça, solitários, a escorrer lentamente seu rio, espelhando um pouco de nossa solidão.

9.5.12

Pedra no Peito. Peito em Pedra.

Postado por 16 mulheres e 1/2 |

 

Ana Mendieta  -  Burial Pyramid (1974)

20.3.12

dissecação obsessiva

Postado por 16 mulheres e 1/2 |

por Carolina Nóbrega

Por que dançarmos apenas com os ossos? Com as anatomias vistas em partes? Nossa obsessão anatômica, desejo de encontro de uma verdade, eixo de tranquilidade no qual posso me apoiar... (eu sei, aqui tem os maléolos). É uma potencia realmente... esse prazer de encontro ósseo, um prazer de apoio pro pulo, pra queda, pra sair do cotidiano olhando dentro e fundo, as linhas que apontam espacialidades... conecta o fora, a exatidão do osso. Maluco que o que impulsiona o movimento é exatamente aquilo de extrutura que sobrará quando nenhum movimento mais puder existir - apenas aqueles internos, dos vermes por dentro, da degradação, da vida mineral e vegetal.
Arte, entretetanto, não é ciência... é estranho precisar afirmar isso, sentir esse desejo de afirmar isso, expor isso. Se emprestamos coisas da ciência, precisamos também rejeitá-la, como um ato de comer e regurgitar. As verdades de corpo que estabelecemos não são verdades, são uma técnica, como poderiam haver outras e o raciocínio científico serve de apoio, um alinhamento, como poderiam haver outros.
Acho importante a arte como abridora de portas (de latas)... ou como um espelho ampliador das dores, manias, banalidades, tesões - faz sentido falar do que vive o corpo a partir do cúmulo do científico, mas pensando nisso de forma diálética - o corpo poético impossível de ser científico se debate em torno de se ver com um esternocleidomastóideo.
Quem dança sabe de si como qualquer outro sabe. É um saber com uma profundidade e densidade que podem ser incríveis. Mas também podem ser apenas um locus de poder. Eu conheço o corpo mais do que qualquer um... poderia alguém dizer. Mas existem homens no meio do canavial que vão do chão ao céu e se dobram sobre si mesmos como bonecos de articulação frouxa sem saber nada acerca de sua tíbia, fíbula, rádio, ulna...
Estar a dançar na cidade, urbana e intelectual, a partir de um saber que vem da ciência, da medicina ocidental, é um caminho que nos revela nossa frágil face - assim como o cortador de cana se revela em sua violência e sarcasmo quando dança. Dançar a partir da ciência, ter a dissecação de imagens anatômicas como um alimentador macabro é um espelho de origem que pode se revelar como potência desveladora de sentidos internos profundos, estranhos e esquisitos, diferentes da assepcia da verdade científica... A busca ontológica foge dos deuses e cai no osso.
Nosso mergulho no osso é também uma falta de opção... uma falta de uma verdade mais mítica e menos racionalista que nos revelem sentidos. Nós construímos nossa mitologia a partir dos livros anatômicos... e essa prisão nos liberta porque nos desnuda... e desnuda nosso tosco mundo ocidental... solitário no meio de suas supostas verdades, sonhando ser mais sábio e concreto do que um outro povo que compreende-se como sendo um espírito de pássaro por dentro de uma casca viva social.
Não somos mais sábios. Nem menos. Não sabemos uma verdade superior a qualquer outra. Não sabemos verdade alguma, como qualquer outro povo... não sabemos nada para além das breves imanências que nos assaltam e que a conciência persegue, para evitar que nos fragmentemos demais. Como qualquer um, em qualquer profissão, na dança, nos apoiamos em nossas mitologias... e sabemos que, mesmo partindo delas, para acontecer algo de imanente que de repente aconteça para além do repeteco cotidiano, precisamos explodir um pouco essas mitologias...
Penso, então, que ao invés de donos de uma verdade, nos compreendamos sobretudo como um povo órfão como qualquer outro, que constrói seus mundos e os dança, como uma forma de revelar, doer, sorrir e celebrar sua patética solidão - e exatamente quando está com ela, em coito com ela, também dela um pouco escapa, pois se entrega, se liberta de rejeitá-la.

Laerte.1

Larte.2


Laerte.3

17.2.12

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Postado por 16 mulheres e 1/2 |

por Carolina Nóbrega

arrudA me atravessa esse chovoso fim de tarde. Acorda de novo na pele e dentro nossos processos. Rosto. Rosto. arrudA me fere em atravessamentos. Poeta. Poesia é isso. Um calar. Um simplesmente. Só e tudo isso. Um infinito poucas frases. Toda uma experiência nossa em duas frases. Calo.



7.10.11

Retorno ao Rosto e à Cortázar 2

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Retorno ao Rosto e à Cortázar 2
ou O Não Reconhecimento


mais um conto, mais um Cortázar, e a sensação de reconhecer-me qual um cronópio.


A foto saiu fora de foco

Um cronópio vai abrir a porta da rua e ao enfiar a mão no bolso para pegar a chave, o que tirá é uma caixa de fósforos; então este cronópio fica muito aflito e começa a pensar que se em vez da chave ele encontra os fósforos, seria terrível que o mundo se houvesse deslocado de repente, e então se os fósforos estão no lugar da chave, pode acontecer que ele ache a carteira de dinheiro cheia de fósforos, e o açucareiro cheio de dinheiro, e o piano cheio de açúcar, e o catálogo do telefone cheio de música, e o armário cheio de assinantes, e a cama cheia de roupas, e as jarras cheias de lençóis, e os bondes cheios de rosas, e os campos cheios de bondes. Assim, o cronópio fica horrívelmente aflito e corre para se olhar no espelho, mas como o espelho está um pouco de lado, o que ele enxerga é o porta-guarda-chuvas do vestíbulo, e suas desconfianças se confirmam e ele desata a soluçar, cai de joelhos e junta suas mãozinhas nem sabe pra quê. Os famas vizinhos acodem para consolá-lo, e também as esperanças, mas passa-se muito tempo antes de que o cronópio saia de seu desespero e aceite uma xícara de chá, que olha e examina muito antes de beber, não vá acontecer que em lugar de uma xícara de chá seja um formigueiro ou um livro de Samuel Smiles.

7.10.11

Retorno ao Rosto e à Cortázar 1

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Retorno ao Rosto e à Cortazar 1
ou Ainda Bem que Agora Eu Não Tenho Cabeça

Decidi voltar a ler os contos de Histórias de Cronópios e de Famas de Julio Cortázar. Na mesma época em nossos encontros, retornamos ao nosso rosto. Ao nosso objeto-rosto, rosto-coisa. Foi estranho e confuso essa máscara e não, caos, buraco dentro. Cortázar retumbou dentro, certeiro e junto. Caiu como uma luva na mão que nem sei se tenho ou qual a forma... eis...

Acefalia
Julio Cortázar

Cortaram a cabeça de um certo senhor, mas como depois estourou uma greve e não puderam enterrá-lo, esse senhor teve que continuar vivendo sem cabeça e arranjar-se bem ou mal.
Em seguida ele notou que quatro dos cinco sentidos tinham ido embora com a cabeça. Dotado somente de tato, mas cheio de boa vontade, sentou-se num banco da Praça Lavelle e tocava uma por uma as folhas das árvores, tentando destinguí-las e dar os respectivos nomes. Assim, depois de vários dias, pode ter a certeza de que havia juntado em seus joelhos uma folha de eucalipto, uma de plátano, uma de magnólia e uma pedrinha verde.
Quando o senhor percebeu que esta última era uma pedra verde, passou uns dias na maior perplexidade. Pedra era correto e possível, mas não verde. Para experimentar, imaginou que a pedra era vermelha, e no mesmo momento sentiu uma profunda repulsa, uma resistência a essa mentira flagrante de uma pedra vermelha absolutamente falsa, já que a pedra era completamente verde e em forma de disco, muito suave ao tato.
Quando percebeu que além do mais a pedra era suave, o senhor passou algum tempo tomado de grande surpresa. Depois optou pela alegria, o que é sempre preferível, pois se notava que à semelhança de determinados insetos que regeneram suas partes cortadas, era capaz de sentir diversamente. Estimulado pelo fato, abandonou o banco da praça e desceu a rua Libertad até a avenida de Mayo, onde como se sabe proliferam as frituras oriundas dos restaurantes espanhóis. Informado deste detalhe que lhe restituía um novo sentido, o senhor se encaminhou vagamente em direção ao leste ou ao oeste, pois disso não estava certo, e foi infatigável, esperando, de um momento a outro, ouvir alguma coisa, já que o ouvido era a única coisa que lhe faltava. De fato enxergava um céu pálido como o de amanhecer, tocava suas próprias mãos com os dedos úmidos de seu suor, e um gosto de metal e de conhaque na boca. Só lhe faltava ouvir e então ouviu, e foi como uma lembrança, porque o que ouvia era de novo as palavras do capelão do cárcere, palavras de conforto e de esperança, muito bonitas em si, pena que com certo ar de usadas, de ditas muitas vezes, de gastas à força de soar e ressoar.
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Finalizo com essa música de Arnaldo e suspiro, ainda bem que agora eu não tenho cabeça!


5.8.11

reverberações.3

Postado por 16 mulheres e 1/2 |

em nossa pequena pausa de duas semanas sem encontros, estive no Rio de Janeiro. louco quando se está envolvido em um trabalho, que tudo ao redor parece querer te dizer de novo as mesmas poéticas numa insistência temática e retórica. como se o mundo se configurasse todo nas mesmas metáforas, nos mesmos indícios de sentido ou perda de sentido... nesse período no Rio, em uma mostra sobre a estética punk e pós-punk, me deparo com David Wojnarowicz e sua obra Rimbaud em Nova Iorque. Várias coisas de seu trabalho me deixaram atônita e me fizeram retomar em experiência uma vez mais nossas pesquisas.

quando você percebe no rosto do outro o seu. quando um rosto cataliza outros rostos em sua semelhança. quando um trabalho de um artista te espelha tanto que te engole tanto que o rosto dele se cola ao seu. quando a sociedade te imprime um rosto a despeito do seu desejo ou consciência. quando.










eis David. o primeiro homem a invadir minhas reflexões nesse blog.

5.8.11

reverberações.2

Postado por 16 mulheres e 1/2 |

sigo ainda um pouco no que ainda vibra do semestre passado. eu sem rosto. sem me reconhecer com um rosto. sem ter uma dança cujo rosto eu reconheça. penso em cabelos ao invés de rosto. cabelos loiros que nem são como os meus, em verdade castanhos. mais uma vez, francesca woodman me bate à porta. mais uma vez.

15.7.11

reverberações.1

Postado por 16 mulheres e 1/2 |

Por Carolina

muito anda me atravessando. atravessando. atravesso sensações do muito que chicoteou em meu peito esse semestre. e é muito. vou aos poucos irem saindo de mim algumas imagens, algumas sensações, algumas atmosferas. quero deixar que elas vazem para fora. saiam a buscar espaços seus. fora de mim.

por hoje, volto a Hilda Hilst. um trecho de A Obscena Senhora D.

(...) abro a janela nuns urros compassados, espalho roucos palavrões, giro as órbitas atrás da máscara, não lhes falei que recorto uns ovais feitos de estopa, ajusto-os na cara e desenho sobrancelhas negras, olhos, bocas brancas abertas? Há máscaras de focinhez e espinhos amarelos (canudos de papelão, pintados pregos), há uma máscara de ferrugem e esterco, a boca cheia de dentes, há uma desastrada lembrança de mim mesma, alguém- mulher querendo compreender a penumbra, a crueldade - quadrados negros pontilhados de negro - alguém-mulher caminhando levíssima entre as gentes, olhando fixamente as caras, detendo-se no aquoso das córneas, no maldito brilho
Hillé, andam estranhando teu jeito de olhar
que jeito? você sabe é que não compreendo
não compreende o quê?
não compreendo o olho, e tento chegar perto. Também não compreendo o corpo, essa armadilha, nem a sangrenta lógica dos dias, nem os rostos que me olham nesta vila onde moro, o que é casa, conceito, o que são as pernas, o que é ir e vir, para onde Ehud, o que são essas senhoras velhas, os ganidos da infância, os homens curvos, o que pensam de si mesmos os tolos, as crianças, o que é pensar, o que é nítido, sonoro, o que é som, trinado, urro, grito, o que é asa hen? Lixo as unhas no escuro, escuto, estou encostada à parede no vão da escada, escuto-me a mim mesma, há uns vivos lá dentro além da palavra, expressam-se mas não compreendo, pulsam, respiram, há um código no centro, um grande umbigo, dilata-se, tenta falar comigo, espio-me curvada, winds flowers astonished birds, my name is Hillé, mein name madame D, Ehud is my husband, mio marito, mi hombre, o que é um homem?

19.6.11

espreita

Postado por 16 mulheres e 1/2 |

por Carolina Nóbrega



O esfenóide, animal a espreita dentro do crânio. Se fosse mesmo um animal, o osso ao redor dos olhos seriam a saida da toca. Meus olhos, não mais meus olhos, mas os olhos desse animal, esfenóide, a espreita. Animal irriquieto a se mover dentro do crâneo em múltiplas direções... o crâneo é o esconderijo.


O animal observa... as vezes ataca e alça pequenos vôos para fora, plana no espaço, abre suas asas. Depois retorna, para dentro da cabeça, e observa, ele quer saber tudo, por todos os ângulos, se interessa por todas as coisas. As vezes o crâneo parece o aprisionar... ele imprime multiplas linhas pra fora até pressionar a cabeça para novamente dar seus saltos. Ele carrega meu corpo com ele, ele implode meu corpo de dentro, e ele vai em múltiplas direções. Ele não me dá descanço. Difícil pedir a ele silêncio e que se mantenha quieto em sua morada. Ele quer sair. Ele quer sair sempre mais e para todos os lados. Perco o sono por conta desse animal ósseo.

e mais uma vez, Rebecca Horn.

19.6.11

Atravessamentos

Postado por 16 mulheres e 1/2 |

por Carolina Nóbrega

aqui retomo um procedimento que fizemos, no qual deitávamos sobre um bastão e depois nos movíamos através dele, como um eixo duplicado, um espelho ou um outro, para depois irmos ao movimento. também o trabalho de segurar a barra, os braços que se desenham a partir da relação com a barra, a moldura.

...a presença de uma linha física (bastão, barra) externa ao corpo inaugura um novo corpo, que se apoia em linhas para estar no espaço, que rasgam diagonais dentro do seu corpo...



num primeiro momento, lembrei-me de Frida Kahlo, que quando tinha 18 anos, sofreu um acidente de ônibus no qual o para-choque atravessou seu corpo, perfurou suas costas, atravessou sua pelves e saiu pela vagina. um atravessamento brutal de uma barra, uma lança, uma linha.


as marcas desse atravessamento no corpo se exteriorizaram em suas obras. vetores de dor, direcionamentos impostos a seu corpo que transformaram toda sua possibilidade de existir no mundo.

...dessas imagens fe Frida, veio-me também essa fotografia específica de Francesca Woodman. o duplo da coluna. a espinha que se separa do corpo. reconhecimento da espinha e da sombra:


e por fim, também lembrei-me de Rebecca Horn e sua pesquisa de prolongar as linhas do corpo, inaugurando novos espaços, ou tornando o espaço mais visível, ou tornando mais visível o desenho do corpo no espaço, tornando evidente que há desenho no existir, que há desenho no deslocar do corpo no espaço.









por mais diferentes que sejam os trabalhos dessas artistas, em todos reconheci essa presença de um atravessamento de linhas, que relacionam o espaço de dentro e com o espaço de fora do corpo... reconheci nessas imagens algo que trafeguei durante os improvisos a partir das barras... cortes no meu eixo, projeções espaciais, diagonais, linhas de apoio ou de desequilíbrio, que me obrigaram a um jogo espacial de desenhos.

3.6.11

Um Infinito no Peito

Postado por 16 mulheres e 1/2 |

por Carolina Nóbrega

Retomo aqui um trabalho que fizemos há alguns encontros atrás. De desenhar em movimento o oito na coluna... um oito que bate e entra nos ossos... e avança costelas em infinito no espaço... levando braços em infinito também... e avança bacia em infinito no espaço... levando pernas em infinito também... o meu centro e os meus afluentes. O trabalho me trouxe a sensação de amplidão e paisagem, integração com o espaço, mas não uma integração necessariamente gostosa (certamente não passiva): Uma integração que exigiu de mim um trabalho árduo, quase agressivo, pulmonar, cardíaco... que me rasgou numa espécie de ampliamento multidirecional, um fazer parte, um compor... transformar o entorno, numa amplidão quase inumana só possível a montanhas, ou cachoeiras... em suas sinuosas e resistentes transformações/imposições na relação com o tempo/espaço.

Voltou-me, ricocheteando peito a dentro, física e inevitavelmente, um poema de Hilda Hilst que me acompanha desde anos...:

Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

27.5.11

Quem

Postado por Núcleo Cinematográfico de Dança |



Quem vem junto:











Carolina Nóbrega

Por um desajuste institucional vivido durante minha formação em Artes Cênicas, decidi viajar sem destino certo pelo nordeste do país. Nesse contexto me aproximei de uma arte menos institucionalizada, dançada na rua, de homens e mulheres que gritavam para fora verdades físicas. A partir disso me interessei pela performance, pela intervenção e, junto com outros parceiros, fundei o Grupo do Trecho (grupodotrecho.ato.com) e (grupodotrecho.blogspot.com). Desse trabalho, fui aprofundando uma pesquisa pessoal corporal em dança que contrasta a ancestralidade e o espaço urbano, bastante inspirado pelo trabalho da artista plástica Ana Mendieta.











Clara Gouvêa

Sou pesquisadora, criadora e professora de dança. Bacharel e licenciada em dança pela Unicamp. Meus focos de interesse estão mais presentes na relação com o movimento com as suas intensidades e imagens, na dramaturgia que se inscreve no corpo, na improvisação, composição e presença cênica. Atualmente sou integrante da Cia Damas em Trânsito e os Bucaneiros, e parceira do Núcleo Cinematográfico de Dança e da Balangandança Cia. Para mim é enriquecedor fazer novas parcerias com artistas e coletivos que tenham questões que me instigam como intérprete e criadora.














Fabiane Carneiro

Transito entre a dança, a arquitetura e o urbano. Questões como o desenho, a construção e a ocupação do espaço me interessam muito. Seja através do corpo, do elemento construído ou da imagem. As pesquisas em Laban, assim como estudos de coordenação motora e técnicas de educação somáticas amparam esse transitar. Atualmente meu foco sobre essas questões está na relação entre o espaço externo e o interno, não só como dualidade, mas também como unicidade e cooperação.










Ilana Elkis

Brasileira, sexo feminino, cabelos e olhos castanhos, netas de judeus ucranianos e tataraneta de italianos. Nascida em São Paulo na Avenida Paulista no dia 1 de julho de 1982, ás 2:34 a.m. Profissão: Artista emergente, intérprete emergente, criadora emergente, gestora emergente, e ainda talvez, bióloga e pesquisadora do corpo vivo. Pernas curtas, pequena, magrela e cabeluda, se confunde espacialmente com direita e esquerda e ultimamente insiste em pesquisar fisicalidades a partir dos sistemas arterial e nervoso. Insiste em cavoucar essas qualidades e estados separadamente, e de quando em vez, de maneiras híbridas, como camadas sobrepostas em sua fisicalidade. Atualmente se ocupa em experimentar um corpo que transita entre desenhos definidos, rascunhos e borrões e que se auto observa em sua propria praxis reparando e organizando suas emergencias










Julia Santos


Ligada em despropósitos como toda boa aquariana, sempre quis peneirar água com a peneira. Num desses despropósitos, eu, que sempre fui do movimento, encontrei na dança uma forma de transver o mundo. Adoro pular carnaval e como grande brincante da vida, não demorou para que eu chegasse nas danças populares brasileiras e, contaminada pelo vírus da possibilidade de criação, cheguei na dança contemporânea. No momento, são muitos os despropósitos da dança que me interessam mas ando muito ligada em experienciar e propiciar aos meus alunos e vocacionados (dou aula de dança contemporânea e brasileira à crianças e adolescentes e sou artista orientadora de dança do Programa Vocacional) diferentes procedimentos de criação em dança(s) sejam ela (s) contemporânea, brasileira, ou talvez, uma dança contemporânea brasileira ou ainda uma dança brasileira contemporânea(?). Com ascendente em Gêmeos, a dúvida também sempre me acompanhou!









Juliana Gennari

A fotografia é a ferramenta que encontrei para registrar e revelar meu olhar perante a vida e a dança, o veículo de expressar a existência. Minha pesquisa parte da relação íntima entre os dois universos: o corpo fotográfico. Atualmente, participo de dois núcleos: o Limiar - núcleo de pesquisa entre dança, música e fotografia: nucleolimiar.blogspot.com e a Cia. da Estrela – núcleo de intervenções urbanas: ciadaestrela.blogspot.com.










Mariana Sucupira


Existem dois aspectos que me guiam na vida: um ligado à curiosidade, o outro, à invenção. Por enquanto, uso isso nos meus trabalhos de dança, teatro e performance, e também, cinema e vídeo, principalmente em parceria com grupos, coletivos, companhias ou pessoas legais. Mas ainda tenho desejo de ser arquiteta, detetive e neurocientista.






Maristela Estrela

Vivo traçando caminhos e linhas de fuga entre impossibilidades e possibilidades, em busca do inesperado. Um turbilhão dentro e fora, inalando e exalando maneiras de ver, ouvir, sentir e provocar o movimento. Em auto-movimento. Sou formada em dança pela Universidade Anhembi Morumbi e profissional desde 1989. Passei por escolas e mestres em São Paulo que dedicavam-se a somar arte e ciência como suporte à formação do criador-intérprete. Integro como criadora-intérprete as cias: Cia. Oito Nova Dança (desde 2001) e Balangandança Cia. (desde 2006). Integrei o espetáculo “Antes da Queda” com direção de Juliana Moraes e o processo de criação do espetáculo “(Depois) de Antes da Queda. Sou co-fundadora do Núcleo Cinematográfico de Dança, onde desenvolvo desde 2002 uma pesquisa entre cinema e dança e atuo como co-diretora e criadora-intérprete. Entre 2002 e 2006 fui professora no Estúdio Nova Dança. Desde 2007 dou continuidade ao ensino e criação em dança contemporânea na Sala Crisantempo, em São Paulo. Oriento o grupo 16 Mulheres e 1/2 em reflexões, práticas e criação sobre dança contemporânea - pelo Núcleo Cinematográfico de Dança.








Mônica Lopes



Minha pesquisa se refere a relação entre a dança e a música, a voz e a dança contemporânea. Neste momento ando particularmente interessada na pesquisa de imagens corporais como desenhos, traços de linhas, que se fazem dentro e fora do corpo - através da relação entre a dança e a fotografia. Participo atualmente de dois núcleos: o Limiar - núcleo de pesquisa entre dança, música e fotografia: nucleolimiar.blogspot.com e a Cia. da Estrela – núcleo de intervenções urbanas: ciadaestrela.blogspot.com




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Quem já esteve junto: 














Alexandre Medeiros

Sou Mestre em Comunicação e Semiótica, 2009, e bacharel com habilitação em teatro e dança pelo curso Comunicação das Artes do Corpo, 2003, ambos pela PUC/SP. Desde 2000 atuo também com a linguagem artística de palhaço e com teatro de bonecos desde 2006. Tenho interesse na pesquisa de um corpo apoiado no Brincar e nas relações em que a memória corporal desde a infância é material para jogar e criar imagens, movimentos, sensações, emoções e poesia.














Andrea Mendonça

Vindo de uma formação que mescla cinema e dança, minha pesquisa parte do diálogo entre essas duas linguagens. Neste momento estudo árvores solitárias, texturas de raízes, solidão e espaço, a partir da estética do iraniano Abbas Kiarostami e sua poética do deslocamento, interessando-me pelas possibilidades de movimentos que partem das articulações, da coluna e escápulas até ultrapassar as extremidades do corpo.








Elen Minhoto

Formada em Serviço Social pela PUC-SP. Iniciou a Faculdade de Dança e Movimento da Universidade Anhembi Morumbi, além de estudar em cursos livres de dança. Em outubro de 2009 participou da criação do espetáculo Desevolução, que foi apresentado no Projeto Primeiro Passo do SESCSP Pompéia. Foi integrante do grupo de improvisação dança-teatro Silenciosas durante 3 anos. Em maio de 2011 participou do espetáculo Área Reescrita da J.Gar.Cia Dança Contemporânea, que foi apresentado no Centro Cultural São Paulo. Atualmente irá realizar um trabalho junto com a Cia Damas em Trânsito e os Bucaneiros.









Isis Marks

Fui seduzida pela dança ao percebê-la como meio de reconhecimento e transformação da condição de existir. Tento ver o que se esconde e sou constantemente motivada pela expectativa de habitar um lugar novo dentro de um mesmo habitat, o corpo. Universo infinito se abriu. Sou agora motivada pela ideia de transmitir essa possibilidade para além de mim e entender os processos intrínsecos às experiências corporais como forma de fazer da dança, arte.












Josefa Pereira

Josefa Pereira caminha sempre em algum lugar entre tensão e distensão, e assim vai descobrindo formas interessantes de estar. Um bom exemplo é quando se lembra da importância de um abraço, um sorriso, ou qualquer outro tipo de trégua que lhe alivia da constante pressão gravitacional entre corpos. Sente grande prazer na contradição. Tem buscado se inspirar em coisas simples, bobas e banais ainda que como retórica de seu discurso conceitual, por vezes, desarticulado de sua prática desorientada em meio a uma enormidade de vetores.Gosta de lembrar da frase: "Tentando chafurdar nos tempos em que porcos sentem fobia de lama".







Marília Coelho


Sou hiperativa e entusiasta. Tento fazer da minha vida o meu trabalho, tento não ser mais uma pedra de concreto em São Paulo e tento andar de skate (o que me inspira muito a me mover). Tenho esperança de um mundo melhor e escolhi agir começando por mim mesma! Mais sobre minha dança: senteovento.com